Para isso fomos feitos ...


Para lembrar e ser lembrados,para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses,mãos para colher o que foi dado,dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer,uma estrela a se apagar na treva,um caminho entre dois túmulos — por isso precisamos velar,falar baixo, pisar leve, ver a noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço,um verso, talvez de amor,uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça e por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre,para a participação da poesia,para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas nascemos, imensamente.


Vinicius de Moraes

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domingo, setembro 4


Para isso fomos feitos ...


Para lembrar e ser lembrados,para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses,mãos para colher o que foi dado,dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer,uma estrela a se apagar na treva,um caminho entre dois túmulos — por isso precisamos velar,falar baixo, pisar leve, ver a noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço,um verso, talvez de amor,uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça e por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre,para a participação da poesia,para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas nascemos, imensamente.


Vinicius de Moraes

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